segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Património Muralha de Adriano em risco às mãos do turismo de massas


A Muralha de Adriano, no Norte de Inglaterra, tornou-se uma séria candidata à Lista do Património Mundial em Perigo, devido à pressão do turismo de massas um itinerário aberto ao público há escassos 18 meses deixou num estado "extraordinariamente precário" um troço de muralha de extensão significativa, pelo facto de mais de 400 mil pessoas, quase sempre equipadas com botas de montanha, terem desde então caminhado incessantemente sobre ele.

Apesar de proibidos de o fazer, lembra o jornal britânico The Times, "a verdade é que muitos visitantes não cumprem e nada os impede de agir desse modo" a guarda da muralha "está a cargo de uma única pessoa" e, num só dia, uma megaexcursão de 800 funcionários bancários holandeses foi recentemente vista a caminhar, não nos trilhos, mas sobre o monumento. Em alguns pontos, e também por deficiente protecção, a estrutura entrou já em colapso.

"Situações desta natureza são absolutamente inaceitáveis", referiu ao Times o arqueólogo e consultor da UNESCO Peter Fowler, um dos especialistas que se opôs à abertura ao público daquele itinerário. Lembrando que a inscrição de um bem na Lista do Património Mundial em Perigo constitui, não apenas um alerta, mas "uma vergonha para qualquer nação desenvolvida", Fowler referiu ainda que a pressão exercida sobre o monumento nada tem a ver com turismo cultural "Muitas destas pessoas querem apenas dar um bom passeio. O desejo é legítimo, mas, para mero passeio, têm muitos outros lugares à escolha que não este."

Para Mike Pitts, editor da British Archaeology, que, na sua edição de Maio-Junho vai abordar o tema, "a situação tenderá a agravar-se", dado haver quem defenda que a muralha mandada erguer pelo imperador Adriano, e escavada ainda numa curta extensão, "deve ser transformada numa atracção internacional".

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